Por Upsocl
29 julio, 2021

Quando Jordan foi adotado por Jerry Windle, ele era um menino que estava muito doente e desnutrido, que teve em seu pai adotivo não só uma salvação, mas também a oportunidade de perseguir e alcançar os seus sonhos.

Tudo começou na década de 1990, quando nos Estados Unidos um homem solteiro e homossexual, chamado Jerry Windle, quis realizar um sonho de toda a sua vida: ser pai. Mas, lamentavelmente, nesses anos, ainda a adoção homoparental parecia um direito ainda muito distante de ser conquistado. No entanto, as esperanças voltaram quando um dia começou a folhear uma revista e leu uma história sobre um homem que tinha adotado um menino no Camboja, sem mencionar em seu caso a existência de uma mãe. Jerry viu aí a sua oportunidade.

Jordan Windle / Instagram

“A história passou a falar sobre a relação próxima entre o pai e seu filho, e algo fez um clique em minha cabeça… A matéria dava o número de telefone [o de um serviço de adoção], então chamei o número e disse ‘Acabo de ler uma matéria, é possível que uma pessoa sozinha adote um menino? E disseram: ‘sim, é”.

– disse Jerry Windle ao Today

Jordan Windle / Instagram

Foi assim que meses depois, já sustentava em seus braços uma criança que estava bastante doente e desnutrida. Esse era Jordan, seu filho e quem amou desde o primeiro minuto. Um pequeno que chegou ao orfanato localizado no Camboja com apenas um ano de idade, para logo ser adotado aos seus dezoito meses de vida. Pequeno que hoje deixou de ser, já que atualmente é um jovem esportista, que nada mais nada menos é um dos representantes dos Estados Unidos na Equipe Olímpica de Mergulho. E, ainda que saiba que lamentavelmente seu pai não possa estar aí, do seu lado para vê-lo competir nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, está “super emocionado” e sempre consciente de que se chegou até esse lugar, grande parte disso se deve ao seu papai Jerry.

Jordan Windle / Instagram

“No geral, posso escutar o meu pai entre todos do público, o que é incrível. Não ter ele nos Jogos Olímpicos será diferente (…) Desejaria que ele estivesse ali, mas isso não muda realmente o que vou fazer: me divertir, parecer um pouco e mostrar um e montar um espetáculo para todos. Essa será a minha intenção. Espero que ele se sinta orgulhoso (…) Há muita gente, muitos olhos colocados em mim, mas em todo caso, simplesmente me emociona poder render o máximo e demonstrar que todo esse trabalho árduo, com sorte, pode dar seus frutos… Isso é um sonho que se torna realidade (…) Digo a todos, quando me perguntam por que mergulho, mergulho exclusivamente por meu pai e pelo quanto ele adora me ver (…) Sem ele fazendo todos os sacrifícios que tem feito e sem o seu amor e apoio durante todo o tempo que estamos juntos, realmente não estaria onde hoje eu estou. Tenho que agradecer a ele por tudo, todas as minhas conquistas. Foi uma viagem incrível com ele”.

– declarou Jordan Windle

Jordan Windle / Instagram

Jerry foi fundamental para que este jovem de origem cambojana começasse a treinar desde os sete anos. Já que foi nessa idade quando um homem chamado Tim O’Brian disse a ele que seu filho lembrava um lendário atleta do mergulho, Greg Louganis, de quem seu pai tinha sido treinador. Encontrando no pequeno filho deste homem solteiro e homossexual, uma futura estrela do mergulho olímpico.

Jordan Windle / Instagram

“Disse que acabava de ver algo em Jordan, e era algo fisiológico, mas também inexplicável. Então Jordan disse que queria ir para as aulas de mergulho e eu disse ‘Está bem, se é algo que queres fazer, vamos fazer’ (…) E assim, aos 7 anos começou a mergulhar e ganhou o seu primeiro campeonato nacional juvenil dois anos depois, o que é quase sem precedentes para alguém que acaba de se meter em um esporte (…) Sei o árduo trabalho que colocou nele, sei o que tem ganho e estou realmente emocionado e orgulhoso de que com o seu corpo técnico, tenha conseguido uma façanha tão assustadora (…) Sei que Jordan sabe que estou com ele (..) O fato de que fisicamente não possa estar ali é incrivelmente decepcionante, porque adoro o espetáculo que oferece (…) Vamos ter uma grande festa de observação aqui na Califórnia (…) Esta é a viagem de Jordan e este é o pináculo do mesmo e quero que aproveite desta experiência o melhor que possa… Isso é o que sempre quis para ele”.

– contou Jerry Windle

Aos 16 anos, Jordan voltou para o Camboja para competir em uma exibição de mergulho que tinha como fim inspirar as crianças pequenas do país. Sendo ele recebido por muita gente e meios de comunicação. Já que apesar de ter nacionalidade americana, o seguiam como herói nacional cambojano. Vitoreando “Pisey”, seu nome original, várias vezes. Lugar onde este lhe contou a sua história para muitos órfãos, além de dizer a eles que pôde chegar onde está graças ao seu pai. Para depois olhar para os funcionários do governo local e declarar: “Espero que deem a todas estas crianças a oportunidade que o meu pai me deu”.

Jordan Windle / Instagram

Desde esse momento, se passaram seis anos e hoje Jordan tem 22 anos. Jovem que compete pelos Estados Unidos nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, tendo a bandeira do Camboja tatuada no seu braço e o seu pai no coração.

 

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