Por Upsocl
3 marzo, 2021

“Hoje pago o preço do meu compromisso… meu compromisso de proteger as crianças do abuso”, conta Eugénie Izard em um vídeo publicado no YouTube. O caso gera controvérsia na França.

Até que ponto um psiquiatra pode intervir quando um menino lhe confessa que foi abusado? Está em seu direito denunciar? Essa é uma das interrogações que hoje tentam se resolver na França, país onde uma médica foi proibida de exercer a sua profissão durante três meses por um fato ocorrido em 2015, quando um paciente menor de idade lhe teria confessado que foi abusado por seu pai, também médico.

Há 16 anos que Eugénie Izard trabalha como psicóloga infantil em Toulouse, no sul da França. Há um tempo fundou, junto a seus colegas, a “Rede de Profissionais para a Proteção da Infância e a adolescência” (REPPEA), onde trabalha como presidente. No entanto, hoje não pode trabalhar como tal, nem tampouco pode defender as crianças porque o proibiram.

Eugénie Izard

Hoje pago o preço do meu compromisso… meu compromisso de proteger as crianças do abuso”, conta em um vídeo publicado no Youtube no último 17 de fevereiro. O fato a que se refere Eugénie ocorreu em 2015, quando um menino confessou a ela, durante uma sessão de terapia em que estavam, que tinha sido vítima de um abuso. Ela sentiu que não podia ficar de braços cruzados e decidiu denunciar.

Não fechei os olhos apesar de que seu pai, quem ele acusou de abuso, era médico. Anos de pressão e represálias até este final de condenação escandalosa”, disse a psiquiatra infantil, segundo noticiou o meio francês Marie Claire.

Disso, já se passaram mais de cinco anos, mas recentemente o conselho médico da França a proibiu de trabalhar como psiquiatra infantil a partir de abril de 2021. Segundo detalha o meio France 3, na sentença “a sala disciplinaria nacional da ordem dos médicos a acusa de ter encaminhado o caso para o juiz de menores em vez do promotor e, consequentemente, de ter violado o sigilo médico”.

Captura video Youtube Association Reppea

Mas Eugénie se defende e nega. E mais, a profissional disse à France 3 que “escrevi para o juiz de menores no marco da lei que autoriza o segredo compartilhado. Nisso, segui o artigo 2 do código ético sobre os direitos das pessoas vulneráveis.

No entanto, esse mesmo meio detalha que, levando em consideração o que diz a lei, o argumento da psiquiatra é duvidoso porque segundo informa o conselho de médicos de Haute-Garonne em seu site, “a denúncia se pode fazer (…) ao Ministério Público o ao juiz de menores”. Quem tem a razão?

 

A psiquiatra denunciou o delito de incesto, do qual o seu paciente lhe havia confessado. Até hoje segue lutando para que a sua condenação se reverta e continua pensando que “claramente há uma reversão da culpa. Denuncio os maus-tratos e sou eu quem está sendo processada. Lutarei para que se reconheça essa injustiça. Ao menos são casos penais. O incesto é um delito ainda que neste caso não seja. Mas temos que poder estar seguros quando se trata deste tipo de casos”, disse à France 3 e agregou que “nos beneficiaríamos da imunidade nesses casos.”

E você, o que acha desse caso?

Puede interesarte