
Tracy Dixon-Salazar era uma mãe que ficava em casa em San Diego e não tinha diploma universitário quando sua filha Savannah teve a primeira convulsão, aos 2 anos.
Depois daquele primeiro episódio, Savannah passou cerca de seis meses sem convulsões. Mas, aos 3 anos, elas voltaram, desta vez com frequência e gravidade crescentes. Aos 5 anos, ela finalmente recebeu um diagnóstico de síndrome de Lennox-Gastaut, uma forma grave de epilepsia infantil.

Ao longo dos anos, as convulsões ficaram cada vez mais difíceis de controlar. Quando Savannah completou 18 anos, ela já havia tentado 26 tratamentos diferentes e podia ter cerca de 300 convulsões por mês.
Tracy decidiu que, se não conseguisse encontrar respostas na medicina convencional, teria de aprender a procurá-las por conta própria. Ela voltou a estudar, mergulhou na biologia e na neurociência e, cerca de doze anos depois de iniciar sua formação universitária, obteve um doutorado em neurobiologia na UC San Diego.

Durante sua pesquisa científica, Tracy participou da análise dos dados genéticos da própria filha. A equipe encontrou variantes associadas à sinalização do cálcio, uma via que poderia estar contribuindo para as convulsões de Savannah.
Com base nessas descobertas, Tracy e a equipe médica decidiram experimentar o verapamil, um medicamento normalmente usado para tratar problemas cardíacos. Em cerca de duas semanas, as convulsões de Savannah diminuíram aproximadamente 95%, e essa melhora durou anos.

O verapamil não cura a síndrome de Lennox-Gastaut nem funciona da mesma forma em todos os pacientes. Mas a história de Tracy mostra como uma pergunta pessoal—”Por que isso está acontecendo com minha filha?”—pode acabar se transformando em pesquisa científica.
