A mulher que destruiu a própria visão com desentupidor de ralo para sentir que seu corpo finalmente lhe pertencia

Por Maried Díaz
24 June, 2026

Jewel Shuping tinha três anos quando começou a andar pela escuridão de sua casa na Carolina do Norte, fingindo que não conseguia ver. Aos seis, tentou danificar os olhos olhando diretamente para o sol. Aos 20, já dominava o braille. Para a maior parte do mundo, esses comportamentos eram sintomas de uma doença. Para ela, eram a única linguagem na qual compreendia a si mesma.

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O diagnóstico tem nome: Transtorno de Identidade da Integridade Corporal, ou BIID, por sua sigla em inglês. É uma condição rara em que o cérebro rejeita uma parte funcional do próprio corpo, gerando no paciente um desejo intenso e incontrolável de ter uma deficiência física. Em 2006, aos 21 anos, Shuping buscou ajuda profissional. A psicóloga que a atendeu tomou uma decisão que vai contra todo código de ética: em vez de tratar o transtorno, colaborou para satisfazê-lo. Ela aplicou gotas anestésicas e depois despejou desentupidor de ralo diretamente em seus olhos. Esperaram 30 minutos antes de ir ao hospital. O dano já era irreversível.

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Seis meses depois, Jewel Shuping ficou completamente cega. Um de seus olhos foi removido; o outro desenvolveu glaucoma, catarata e cicatrizes permanentes. Sua família cortou todo o contato com ela. No entanto, quando lhe perguntam se se arrepende, sua resposta não muda: não. «Eu estava tão feliz que senti que era assim que deveria ser», disse ela em uma entrevista à Barcroft TV. Hoje ela alerta que ninguém deve replicar seu método, mas insiste que seu corpo, pela primeira vez, corresponde a quem ela sempre soube que era.

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