A mutação genética que elimina completamente a dor: ela existe, é real, e a ciência já sabe quais genes a causam

Por Aracely Molina
26 June, 2026

Há pessoas que nunca sentiram dor em suas vidas. Elas não estão exagerando, e não têm um limiar alto: seu sistema nervoso, seguindo instruções escritas em seu DNA, simplesmente não processa esse sinal. A condição é chamada de insensibilidade congênita à dor (CIP) e é causada por mutações em genes como SCN9A, NTRK1, PRDM12 ou FAAH-OUT, que afetam os nociceptores, as células responsáveis por detectar e transmitir danos ao cérebro.

O caso mais bem documentado é o de Jo Cameron, uma mulher britânica que descobriu sua condição aos 65 anos quando insistiu que não precisava de anestesia durante uma cirurgia na mão. Os anestesistas, perplexos, a encaminharam a especialistas da University College London e da University of Oxford, que publicaram suas descobertas no British Journal of Anaesthesia em março de 2019. Cameron não apenas não sente dor: ela também não sente medo nem ansiedade, e os pesquisadores observaram que suas feridas cicatrizam mais rápido do que o normal. Os médicos acreditam que pode haver muitas mais pessoas com mutações semelhantes que nunca perceberam isso.

O que parece um superpoder é, na realidade, uma armadilha biológica: sem a dor como sinal de alerta, fraturas, queimaduras e infecções evoluem sem que o corpo dê qualquer aviso. A ciência, porém, olha para esses genes com outro objetivo: entender como eles bloqueiam a dor pode abrir caminho para novos analgésicos para os 330 million pacientes que passam por cirurgia todos os anos em todo o mundo.

Puede interesarte