Keshav Prasad Baral tem 68 anos e vive em Nuwakot, no Nepal. Na quarta-feira passada, a lama entrou na sua casa sem aviso.

Ele conseguiu agarrar a mão da sua mulher e tentou puxá-la em direção ao terraço, procurando os poucos centímetros que os separavam da lama. Não conseguiu. A correnteza arrancou-a de entre os seus dedos, e ela desapareceu sob a lama que descia da montanha depois de uma massa de rocha e gelo glacial ter desabado na fronteira com o Tibete. Um helicóptero resgatou Baral quatro horas depois, e ele recupera agora num pequeno hospital. A sua mulher continua desaparecida sob a lama. «Ela está morta», disse ele, sem rodeios.

Entretanto, o número de mortos continua a aumentar: mais de 160 corpos recuperados e quase 579 turistas de mais de duas dezenas de países continuam desaparecidos, numa das maiores catástrofes que a região do Himalaia já viveu.

