Quando Mbappé estreou-se na Ligue 1, tinha 16. Quando Junior Messias estreou-se na Serie A, tinha 29 e passara uma década a entregar máquinas de lavar pelas ruas de Torino.
É isso que é preciso entender primeiro.
Aos 20, Junior era um rapaz de Belo Horizonte preso ao futebol amador e a lutar contra o álcool. Numa noite, o carro caiu num buraco. Resgataram-no. O teste do bafómetro deu positivo. Sobreviveu por milagre.

Nunca mais bebeu.
Foi para Itália com o irmão. Sem contrato, sem nome, sem nada. Jogava pelo Sport Warique, uma equipa de peruanos em Torino, em jogos de bairro sem bancadas. Durante o dia, entregava frigoríficos e máquinas de lavar. O futebol não punha comida na mesa.
Um antigo defesa do Torino viu-o jogar num domingo. Recomendou-o. Ninguém mais teria reparado nele.
Assinou pelo Casale, na quinta divisão italiana. Tinha 24. Marcou 21 golos em 32 jogos. Subiu. Chieri. Gozzano. Crotone. Um passo de cada vez, sem saltar nenhum.
Ao longo de todo esse percurso, só uma pessoa nunca duvidou. A avó.

Em 3 de novembro de 2021, Junior Messias entrou em campo aos 56 minutos. O Milan perdia para o Atlético de Madrid na Champions. Aos 87 minutos, cabeceou. Golo. A primeira vitória do Milan na Champions em oito anos.
O homem que marcou esse golo entregava máquinas de lavar menos de dez anos antes.
Aos 31, jogou uma semifinal da Champions no San Siro.
A avó sempre soube.
Fendas 🤝
