Artistas drag peruanos podem pegar até 6 anos de prisão por «ofensas à decência pública» após participarem da Marcha do Orgulho

Por Carlos Valencia
9 October, 2026

Cinco artistas drag de Cusco podem pegar entre quatro e seis anos de prisão por «ofensas agravadas à decência pública» após participarem da Marcha do Orgulho de julho de 2025. A marcha, segundo a advogada Lucía Santos, ocorreu «pacificamente, sem incidentes violentos nem sanções administrativas».

Tudo começou no dia seguinte, quando um programa de televisão local exibiu imagens da marcha usando linguagem estigmatizante e transfóbica. O Ministério Público abriu de ofício uma investigação contra a apresentadora por discriminação, e as cinco pessoas foram reconhecidas como vítimas. Meses depois, a mesma jornalista apresentou queixas criminais contra elas, recorrendo a imagens do próprio programa.

Para a organização Proyecta Igualdad, há indícios de «criminalização e possível retaliação». Um laudo antropológico forense reconhece a natureza artística e cultural da arte drag e descarta que ela seja lasciva por si só. Além disso, a defesa contesta o aumento da pena com base na suposta presença de menores de idade, uma vez que a acusação não identifica nenhum deles individualmente.

O prazo da investigação termina em 25 de setembro, e o Ministério Público decidirá se apresentará acusações. Hoje, houve uma audiência e um protesto sentado em frente ao tribunal, sob o lema «Por uma justiça que não discrimine».

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