«As pessoas acham que é só cortar e pronto»: Criadora de conteúdo trans compartilha sua experiência de transição de gênero, passou 8 horas na sala de cirurgia e 5 dias com um cateter

Por Valentina Ulloa
19 August, 2026

Martina Bellucci tem 27 anos e não esconde nada.

Ela cresceu em Tafí Viejo, a 12 quilômetros da capital de Tucumán, na Argentina, começou a terapia hormonal aos 18 anos e, aos 26, passou pela cirurgia de redesignação de gênero que esperava realizar a vida toda. A operação durou entre sete e oito horas.

@martinabellucciok

Na noite anterior, ela teve que fazer jejum e tomar laxantes para esvaziar o cólon. Ao acordar da anestesia, os médicos colocaram um preservativo preenchido com algodão e moldado em formato de falo dentro da nova cavidade para mantê-la aberta durante os primeiros dias. Ela passou cinco dias internada, sem conseguir se levantar, com um cateter urinário.

«As pessoas acham que é só cortar e pronto», diz Martina, desmentindo o mito mais repetido: não é uma amputação; a vaginoplastia utiliza o tecido existente.

Ela se casou com o homem que a acompanhou durante todas as cirurgias; eles se separaram após a operação e agora são amigos. Ela trabalha no Ministério da Saúde em Buenos Aires, ajudando outras pessoas a entender o que vivenciou em primeira mão.

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