O Brasil pediu desculpas 30 anos depois de matar um bebê de 2 anos e culpá-lo pela própria morte em uma operação policial

Por Josefina Reyes
8 July, 2026

Maicon de Souza Silva tinha apenas 2 anos quando uma bala da polícia atravessou sua cabeça em frente à sua própria casa, na favela de Acari, no Rio de Janeiro, em 2 de abril de 1996. Naquele mesmo dia, Renato da Silva Paixão, um menino de 6 anos, perdeu uma perna na mesma operação.

A polícia encerrou o caso como «resistência à prisão seguida de morte»: a fórmula que usavam para culpar a vítima pela própria morte. Chegaram até a afirmar que Maicon, um bebê, havia atirado contra eles. A investigação foi arquivada em 2019 por falta de provas, e foi isso, como se nada tivesse acontecido.

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos teve de intervir para que o caso fosse reaberto. Em 30 de junho, quase 29 anos depois, o Estado brasileiro assinou uma reparação oficial. «Nenhuma criança deveria crescer sob o medo da violência. Nenhuma família deveria ter de esperar décadas para obter justiça», disse a ministra Janine Mello. A pergunta que fica é quantos outros Maicons existem sem que ninguém ainda tenha pedido desculpas.

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