Uma carta de um pai para sua filha ✍️
“Minha filha, vi você chegar em último e você não disse nada. Eu amarrava seus cadarços quando você tinha cinco anos, e hoje não sei como consertar seu coração.
O que sinto não é ódio. É uma pergunta simples: por que você está correndo contra alguém que nasceu com um corpo diferente do seu e, além disso, pedem que você sorria?

Eu não inventei isso. O próprio Comitê Olímpico diz isso e agora busca proteger o esporte feminino. 27 estados nos Estados Unidos dizem isso; eles já proibiram isso nas escolas. Um juiz da Suprema Corte diz isso, chamando este debate de um jogo de soma zero: se um ganha, o outro perde. E o outro, filha, sempre foi você.
Você treinou desde os sete anos. Madrugadas, lesões, um sonho que você construiu com as próprias mãos. Ninguém lhe deu nada. E, mesmo assim, a corrida estava perdida antes do tiro de largada.

Não estou pedindo que você odeie ninguém. Estou pedindo que você entenda que exigir justiça não é crueldade. É defender a ideia de que seu esforço deve valer tanto quanto o de todos os outros. Espero que o esporte volte a ser o lugar onde vence quem correu mais rápido, não quem começou com uma vantagem.
Até lá, filha, permanecerei nas arquibancadas. Aplaudindo você, mesmo que o placar diga o contrário”.
