Chernobyl abriga mais de 150 exemplares do cavalo mais raro do mundo, e o motivo não tem nada a ver com radiação

Por Aracely Molina
15 June, 2026

Em 1969, o último cavalo-de-Przewalski de vida livre desapareceu no Deserto de Gobi. A espécie foi reduzida a 12 indivíduos em zoológicos europeus — a margem mais estreita entre a extinção e a sobrevivência. Hoje, no setor ucraniano da zona de exclusão de Chernobyl, vivem ali mais de 150 exemplares.

Um estudo publicado em Proceedings of the Royal Society B documentou algo difícil de processar: armadilhas fotográficas registraram esses animais mais de 1,000 vezes dentro da zona radioativa e zero vezes nos setores externos sem restrições. A ecóloga Svitlana Kudrenko, da Albert Ludwig University of Freiburg, foi além: a diversidade de espécies dentro da CEZ supera a das reservas naturais sob proteção rigorosa. O fator determinante não é a tolerância à radiação. É a ausência de pessoas.

O cavalo-de-Przewalski não é um parente distante do cavalo doméstico — é outra coisa. Ele tem 33 pares de cromossomos, em comparação com os 32 do equino domesticado, uma diferença genética que confirma uma linha evolutiva completamente separada. Entre 1998 e 2004, entre 31 e 36 exemplares foram reintroduzidos na zona. Os incêndios de 2020 e 2021 regeneraram a vegetação e aceleraram sua expansão. O que a humanidade declarou inabitável acabou sendo, para eles, o lugar mais seguro do mundo.

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