Antes de fazer a primeira incisão em um nariz humano, muitos cirurgiões especializados em rinoplastia passam horas praticando em pele e tecido de frango. Não se trata de um experimento improvisado nem de uma anedota curiosa: é um método de treinamento cirúrgico bem estabelecido e reconhecido na medicina moderna.

A rinoplastia exige um nível extremo de precisão. O nariz concentra três estruturas diferentes em um espaço mínimo: pele, cartilagem e tecido mole. Um erro milimétrico pode alterar tanto a aparência do paciente quanto a função respiratória. É por isso que, antes de enfrentar esse cenário real, os cirurgiões precisam de um tecido que replique de perto as propriedades mecânicas do tecido humano: resistência, elasticidade, resposta à sutura. O frango atende a essas condições com uma fidelidade surpreendente.

Durante essas sessões de prática, os profissionais trabalham em incisões, manipulam tecidos e aperfeiçoam técnicas de sutura fina em um ambiente controlado, onde os erros não têm consequências para nenhum paciente. O que parece um corte de açougueiro se torna o simulador mais acessível e eficaz para desenvolver a habilidade exigida por uma das cirurgias mais delicadas da medicina.
