Ele cresceu acreditando que beleza era tudo aquilo que ele não era. Hoje, sua aparência o levou à Vogue, ao cinema e aos videoclipes de grandes artistas

Por Andrea Araya Moya
30 September, 2026

Durante anos, uma das perguntas que Brooks Ginnan mais ouvia era tão cruel quanto direta: «Você tem câncer?». Ele ainda era apenas uma criança, aprendendo a conviver com um corpo para o qual os outros nunca paravam de olhar e apontar.

Brooks nasceu com displasia ectodérmica, uma condição genética rara que pode afetar o desenvolvimento dos cabelos, dentes, unhas e da pele. Desde muito jovem, ele sabia que sua aparência era diferente, mas foram os olhares e comentários das outras pessoas que acabaram transformando essa diferença em insegurança.

Com o tempo, ele passou a pensar que a beleza era praticamente «tudo aquilo que eu não era». Essa ideia lhe causava ansiedade e problemas com a imagem corporal, e ele encontrou refúgio na música, nas roupas e na oportunidade de criar sua própria estética.

Curiosamente, ele nunca pensou que se tornaria modelo. Começou posando para amigos durante a faculdade e acabou trabalhando para revistas como Vogue e W, desfilando para estilistas e aparecendo em videoclipes de Sabrina Carpenter, A$AP Rocky e Kesha.

E há algo que Brooks deixa bem claro: ele não aceita trabalhos em que sua aparência seja usada para retratá-lo como monstruoso ou estranho. Para ele, estar diante de uma câmera significa justamente o oposto: «Ser modelo significa aceitar cada parte do meu corpo que cresci aprendendo a odiar».

Hoje, o que antes fazia com que os outros o fizessem se sentir deslocado acabou levando-o a alguns dos lugares onde, por anos, ele acreditou que nunca se encaixaria.

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