Tiffany Dial permaneceu na chuva, prestando continência com determinação.

Era 19 de janeiro de 2019, em Birmingham, Alabama, e o cortejo fúnebre do sargento Wytasha Carter, de 44 anos, que havia sido morto seis dias antes enquanto investigava um roubo, avançava lentamente pela rua. Ela cumpria seu dever sem se mover, ficando cada vez mais encharcada a cada minuto, quando algo mudou: parou de sentir a chuva. Um homem havia ficado bem atrás dela, segurando um guarda-chuva sobre sua cabeça sem dizer uma palavra, durante meia hora inteira.

A aba do chapéu bloqueava sua visão, e ela nunca o viu. Quando finalmente se virou, ele já havia ido embora. Só depois ficou sabendo que era Shawn Allen, um promotor assistente do condado de Jefferson e pai de três filhos, que havia saído do escritório ao ver a procissão passar e decidira agir sem pensar duas vezes. Uma testemunha, Meghan Blankenship, viu tudo e acabou chorando.

Dial disse que o gesto lhe ensinou algo que nenhum discurso jamais havia lhe ensinado antes: que as pessoas realmente se importam com os policiais que arriscam a vida pelos outros.
