Victoria Soto tinha 27 anos e dava aulas para o primeiro ano na Sandy Hook Elementary School, em Newtown, Connecticut. Na manhã de 14 de dezembro de 2012, um jovem chamado Adam Lanza, armado com uma arma, entrou no prédio e começou a atirar.
Na sala de aula dela, Soto não teve muito tempo para pensar. Escondeu o máximo de crianças que pôde e, quando Lanza chegou à sua porta e perguntou onde estavam seus alunos, ela disse que eles estavam no ginásio, do outro lado da escola.
Eles não estavam lá. Estavam a apenas alguns metros dela, em silêncio.

A mentira deu tempo aos seus alunos. Não deu nenhum a ela.
Algumas crianças, impulsionadas pelo instinto do medo, saíram correndo de onde ela as havia escondido. Soto moveu-se em direção a elas, colocou o próprio corpo entre as balas e os pequenos e morreu ali, em 14 de dezembro de 2012, na escola onde havia passado anos ensinando crianças a ler.
Naquele dia, 20 crianças e seis funcionários adultos perderam a vida na Sandy Hook. Ela era uma dessas seis.
Em 2013, recebeu postumamente a Medalha Presidencial dos Cidadãos. Em Stratford, sua cidade natal, uma escola de ensino fundamental recebeu seu nome.

Sua mãe, Donna, e sua irmã Jillian têm repetido a mesma coisa desde então. Victoria sempre quis ser professora e sempre disse que cuidaria de seus alunos com tudo o que tinha.
Naquele dia, provou isso com a única coisa que lhe restava.

