Por trás da imagem idílica de um dos casais mais famosos da história da música, há uma realidade que hoje nos causa um profundo desconforto. Em 1959, enquanto servia nas Forças Armadas na Alemanha, Elvis Presley — o homem mais cobiçado e famoso do planeta, aos 24 anos — voltou sua atenção para Priscilla Beaulieu, uma «garota”mulher» que tinha apenas 14 anos e acabara de começar o primeiro ano do ensino médio.

O que hoje muitos classificariam imediatamente como comportamento perturbador e manipulação foi tratado na época como parte de uma campanha de persuasão cuidadosamente planejada. Quando a mãe e o padrasto de Priscilla descobriram a fixação do cantor pela filha, a primeira reação deles foi um não categórico. No entanto, Elvis usou todo o seu charme: visitou a casa da família usando o uniforme militar e se apresentou como um jovem extremamente educado, dedicado e respeitoso.

Para convencer os pais relutantes a permitir que a filha se mudasse para milhares de quilômetros de distância, para sua famosa mansão em Memphis, «O Rei» fez promessas calculadas: garantiu que a jovem ficaria sob a supervisão rigorosa de seu próprio pai (Vernon Presley), que a matricularia em uma escola católica exclusiva para meninas (Imaculada Conceição) para concluir os estudos e que eles não dormiriam no mesmo quarto até se casarem. A própria Priscilla aumentou a pressão, ameaçando se rebelar caso os pais não a deixassem ir.


Aos 17 anos, Priscilla vivia em Graceland, em um ambiente no qual Elvis moldava gradualmente suas roupas, seu penteado e seu comportamento para transformá-la em sua «companheira ideal». Durante décadas, a história foi vendida como um conto de fadas, mas, quando se considera a enorme disparidade de poder e idade, vem à tona um lado sombrio que continua a inquietar o mundo inteiro.
Você acha que foi pura manipulação facilitada pela fama ou um reflexo de uma época com limites muito diferentes?
