Em 13 de maio de 1981, na Praça de São Pedro, Mehmet Ali Agca atirou em João Paulo II. O Papa caiu gravemente ferido. Foi submetido a uma cirurgia de emergência no Hospital Gemelli e por pouco sobreviveu.

Dois meses depois, um tribunal de Roma condenou Agca à prisão perpétua.
Ninguém imaginava o que viria a seguir.
Em 27 de dezembro de 1983, João Paulo II entrou na prisão de Rebibbia, em Roma. Caminhou pelos corredores. Chegou à cela. Os guardas ficaram do lado de fora, no corredor.
Lá dentro, dois homens ficaram a sós: aquele que havia disparado o tiro e aquele que o havia recebido, sentados um diante do outro.
Eles conversaram por cerca de 21 minutos. Sem câmeras. Sem microfones. Ninguém mais.

João Paulo II disse isso depois, em público, com aquelas palavras inesquecíveis: «Rezo pelo irmão que atirou em mim, a quem perdoei sinceramente».
Irmão. Não inimigo. Não criminoso. Irmão.
Eis o que quase ninguém sabe. Em 2011, o próprio porta-voz do Vaticano, Joaquín Navarro Valls, disse que, dentro daquela cela, não houve uma única palavra de perdão por parte de Agca. Nem um pedido de desculpas. Nem um sinal de remorso. Apenas uma pergunta sobre um segredo religioso que não tinha nada a ver com o que ele havia feito.
João Paulo II sabia disso e, mesmo assim, o perdoou. Não houve acordo. Não houve reconciliação entre duas partes. Houve um homem que escolheu perdoar mesmo que o outro não lhe tivesse pedido, mesmo que não houvesse remorso visível, mesmo que ninguém estivesse olhando.

É fácil perdoar quando a outra pessoa se ajoelha e pede desculpas. Esse tipo de perdão quase acontece por si só. O perdão difícil é este: aquele dado sem condições, sem qualquer garantia de algo em troca, simplesmente porque se decide que carregar ressentimento pesa mais do que deixá-lo ir.
Agca acabou sendo perdoado no ano 2000 e libertado definitivamente em 2010. Ele nunca pediu desculpas em público. João Paulo II já não precisava que ele o fizesse.
