Sophie Lancaster tinha 20 anos e caminhava com o namorado pelo Stubbylee Park, em Bacup, Inglaterra, quando um grupo de adolescentes os cercou. O motivo: pareciam diferentes. Primeiro espancaram Robert Maltby até ele ficar inconsciente no chão. Sophie não fugiu. Ajoelhou-se ao lado dele para o proteger com o próprio corpo. Depois atacaram-na. Testemunhas afirmaram que lhe deram pontapés na cabeça como se ela fosse uma bola de futebol.

Sophie entrou em coma e morreu em 24 August 2007, treze dias após o ataque. Os principais autores, Brendan Harris e Ryan Herbert, foram condenados a prisão perpétua com penas mínimas: 18 anos para Harris e 16 anos e three months para Herbert, penas que mais tarde foram reduzidas. Herbert foi libertado em 2022. Harris foi libertado sob licença em May 2026. Nenhum cumpriu a totalidade da sua pena.

O caso foi reconhecido como um crime de ódio contra subculturas alternativas, um precedente sem precedentes no direito penal britânico. A mãe dela, Sylvia Lancaster, canalizou o seu luto para fundar a Sophie Lancaster Foundation a fim de combater a intolerância. Mas a pergunta que persiste é incómoda: quanto vale juridicamente uma vida tirada apenas por causa da forma como alguém se veste?

