Clara Píriz tem quase 80 anos. Cristina também. As duas passaram a vida lutando: pelo direito de decidir sobre os próprios corpos, contra a violência de gênero, pela igualdade. Agora estão lutando uma batalha diferente: não querem envelhecer sozinhas, nem querem fazer isso em uma casa de repouso.

Junto com um grupo de mulheres feministas no Uruguai, todas com mais de 60 anos, elas estão liderando o Mujeres con Historias, o primeiro projeto colaborativo de moradia feminista do país. Ele ficará localizado na Ciudad Vieja, em Montevidéu. A ideia é simples e enorme ao mesmo tempo: cada mulher terá seu próprio quarto, banheiro e uma pequena cozinha. Mas elas compartilharão uma cozinha comunitária, uma sala de eventos e até um espaço para atividades físicas aberto ao bairro.
Não é uma casa de repouso. Ninguém ali precisa de cuidados. São mulheres independentes e ativas que decidiram escolher com quem e como passar seus últimos anos, em vez de deixar que a vida decidisse por elas.

Dentro do coletivo, Rita ficou responsável por pesquisar experiências semelhantes em outros países. Ela encontrou modelos na Europa. O Uruguai já tem um precedente, Carpe Diem, uma cooperativa que começou a tomar forma sete anos atrás e espera abrir em 2026.
O Mujeres con Historias sonha em ir além: tornar-se um polo cultural para o bairro e um modelo de política pública para um continente que envelhece cada vez mais rapidamente.

Elas lutaram pelos outros a vida inteira. Agora, tijolo por tijolo, estão construindo o lugar onde ninguém terá de envelhecer sozinho.
