Os olhares eram tão evidentes que é difícil acreditar que ninguém por perto tenha percebido o quanto a cena era desconfortável.
Em setembro de 2014, Emma Watson chegou à sede das Nações Unidas para apresentar o HeForShe, uma campanha que pretendia envolver também os homens na conversa sobre igualdade de gênero.

Ela tinha 24 anos e estava prestes a fazer um dos discursos mais memoráveis de sua carreira. Falou sobre estereótipos, sobre como as mulheres são julgadas de maneira diferente desde muito jovens e por que o feminismo não deveria ser entendido como uma luta entre homens e mulheres.
Mas, antes de pegar o microfone, a cena já era bastante desconfortável. Enquanto Emma caminhava pelo local, vários homens ao seu redor pareciam acompanhá-la com os olhos, de um jeito que fez a imagem continuar circulando nas redes sociais muitos anos depois.
E é exatamente aí que está a ironia: ela pediria que as mulheres fossem levadas a sério pelo que pensam, fazem e dizem, enquanto alguns pareciam muito mais concentrados em sua aparência enquanto ela passava.
Emma nem sequer tinha começado seu discurso, e, de alguma forma, parte do problema já estava sentada na primeira fila.
