Juan José Mutilba tinha 66 anos e acabara de pescar um atum quando escorregou no sangue dele no convés do barco.

Caiu ao mar na terça-feira, 18 de agosto, algures entre a Sicília e a Grécia, diante da sua mulher, Carmen Díez. Ela ficou paralisada. Não conseguiu manobrar o veleiro a tempo, não conseguiu atirar-lhe nada, não conseguiu fazer absolutamente nada. O barco continuou o seu curso e Juan José desapareceu na água.

O que se seguiu foi pior: três dias sozinha, sem cobertura de telemóvel, sem qualquer forma de pedir ajuda, à deriva algures no Mediterrâneo, com a última imagem do marido a afundar-se gravada na mente. Só na sexta-feira, 21 de agosto, conseguiu contactar um amigo da família, que alertou o Salvamento Marítimo. Os gregos encontraram-na a 18 milhas náuticas da costa e rebocaram o barco até Pilos. Carmen tem uma licença de patrão de embarcação, mas nada a tinha preparado para manobrar sozinha um barco daquele tamanho no meio do pânico. Recebeu apoio psicológico e regressou a Espanha por ordem médica, embora não quisesse partir sem notícias de Juan José. Ele continua desaparecido.

