«Eu tinha me esquecido de como é estar ao ar livre»: primeira unidade de terapia intensiva localizada em um telhado e cercada por jardins no King’s College Hospital

Por Rodrigo Martínez
23 June, 2026

Hollie Allan passou dois meses sem ver o sol. Aos 29 anos, conectada a sondas de alimentação e equipamentos de suporte à vida dentro da UTI no King’s College Hospital, em Londres, ela havia perdido algo que a maioria das pessoas considera garantido: o simples ato de sair para o lado de fora.

Quando as portas do elevador se abriram para o telhado, a luz atingiu seu rosto. Ela sorriu. E instantaneamente, chorou. «Desculpe, é simplesmente tão maravilhoso… Eu tinha me esquecido de como é estar ao ar livre», disse ela, enxugando os olhos de sua cama de hospital. Hollie tornou-se assim a primeira paciente a experimentar a nova enfermaria de terapia intensiva ao ar livre do King’s, a única desse tipo no Reino Unido: seis leitos equipados com tomadas de eletricidade e saídas de oxigênio no próprio telhado, cercados por madressilva, jasmim e lavanda, projetados para que os pacientes mais gravemente doentes possam receber cuidados completos sob o céu aberto.

O projeto custou mais de 2.7 milhões de dólares e nasceu de uma convicção médica clara: a exposição à natureza reduz o tempo de internação. O Dr. Phil Hopkins, especialista em terapia intensiva, resume isso sem rodeios: «Não queremos apenas salvar vidas. Queremos devolvê-las às suas vidas o mais rápido possível.» Hollie, que aguarda uma cirurgia cardíaca, entendeu isso melhor do que ninguém desde sua primeira hora naquele telhado: «Mesmo se houvesse tempestades, eu ficaria aqui fora.»

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