A FIFA nomeou um pato de rua do Zócalo como embaixador — e o que já está acontecendo nos mercados preocupa especialistas

Por Rodrigo Martínez
22 June, 2026

Karla Gómez vende na Alameda Central, na Cidade do México, e leva consigo Merlín, seu pato de 2 anos, que vai ao trabalho usando uma camisa da Seleção Mexicana e meias. Em 16 de junho de 2026, após a partida de abertura México 2-0 África do Sul, Merlín apareceu entre a multidão no Paseo de la Reforma e, em poucas horas, Reuters, AP, The New York Times e a BBC já estavam falando dele. A FIFA o nomeou embaixador oficial da Cidade-Sede da Cidade do México. O empresário Ricardo Salinas Pliego lhe deu ingressos para o estádio. O ex-presidente Felipe Calderón exigiu royalties da FIFA em nome da família. O pato de uma vendedora ambulante.

O problema é o que veio depois. As vendas de patos no México dispararam desde que Merlín viralizou, e a Unidade de Reabilitação de Vida Silvestre de Pachuca já soou o alarme: comprar um porque está na moda é condená-lo. Um pato doméstico pode viver entre 10 e 15 anos, precisa de amplo espaço, água limpa, uma dieta especializada e da companhia de outros patos. Não é uma lembrança da Copa do Mundo. Em 3 de junho — antes de a euforia começar — a PAOT da CDMX já havia resgatado 17 patos abandonados no lago do Parque Ecológico Huayamilpas, em Coyoacán.

Merlín conseguiu tudo isso. Mas o preço pode ser pago por milhares de animais que não escolheram se tornar uma tendência. 🦆

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