Chandler Plante tinha 21 anos e era saudável até contrair COVID-19 em dezembro de 2020. Os meses seguintes trouxeram enxaquecas incessantes e um estranho formigamento nas mãos que ninguém conseguia explicar.
Ela achou que isso fosse causado pelo estresse, até que, em março de 2021, chegou a um pronto-socorro em Nova York com o braço esquerdo dormente e a língua formigando. Ela desmaiou ali mesmo, mas os médicos disseram que ela deveria se acalmar, afirmando que era apenas uma crise de ansiedade, reforçando o que ela acreditava estar relacionado ao estresse.
Um erro grave.
Três meses depois, Chandler estava acompanhada quando o lado esquerdo de seu rosto começou a cair. A jovem atribuiu isso à ansiedade mencionada pelos médicos, mas, na realidade, estava tendo um AVC.
Os médicos pareciam céticos de que ela tivesse sofrido um AVC, e só quando alguém ao seu lado insistiu em seu nome é que realizaram uma ressonância magnética com contraste. Suas artérias carótidas estavam criticamente estreitadas. Ela havia sofrido um AVC isquêmico, algo quase inconcebível para alguém de sua idade. Eles inseriram stents, tubos feitos de uma malha fina que mantêm os vasos sanguíneos abertos.
Parecia ser o fim do pesadelo. Não era.
A jovem passou por 6 médicos diferentes, mas ninguém conseguia dizer o que havia de errado com ela ou por que havia sofrido aquele AVC.
Meses depois, ela acordou com dor atrás do olho direito. Os exames mostraram uma massa que parecia ser um tumor cerebral. «Quase comemoramos com minha mãe. Um tumor pode ser removido, pode receber um nome», disse Chandler. Mas, infelizmente, não era câncer. Era uma inflamação sem causa clara, que acabou comprimindo seu nervo óptico até que ela perdesse a visão daquele olho.


Foi difícil aceitar a perda. Chandler teve que se acostumar não apenas a viver enxergando com um só olho, mas também a se reconhecer no espelho com uma aparência diferente. No entanto, pouco a pouco, ela começou a se reconciliar com essa parte de sua história.
Hoje, ela se tornou uma conhecida criadora de conteúdo focada em deficiência e perda de visão. Em vez de esconder o olho, ela o transformou em um dos elementos mais reconhecíveis de seus vídeos: ela o maquia, combina diferentes tapa-olhos com suas roupas e usa próteses oculares marcantes, com cores, desenhos e até glitter.

O que durante anos foi um símbolo de doença e perda também acabou se tornando uma ferramenta para reconstruir sua confiança e ajudar outras pessoas a se sentirem confortáveis com a própria aparência.
«A positividade foi a única coisa que me manteve seguindo em frente», diz ela.
