Andréa o criou sozinha, com uma vassoura e um turno que começava de madrugada pelas ruas de Goiânia.

Vinte e dois anos depois, seu filho Kawê Guilhermy se formou em enfermagem. Ele foi o primeiro da família a concluir um curso universitário. Para a sessão de fotos, pediu a ela algo que ela não esperava: que vestisse o uniforme da Companhia de Urbanização de Goiânia, o mesmo que ela veste todos os dias para limpar a cidade.

Foi então que aconteceu o gesto de que todos se lembrariam. Ele colocou o boné da mãe. Ela colocou o capelo da formatura. «As pessoas que estavam lá se emocionaram», conta ele.

Kawê sabia por que estava fazendo aquilo. Quando criança, acompanhava a mãe no trabalho e via como algumas pessoas a tratavam por ela ser gari. «Meu filho sempre teve orgulho de mim», diz Andréa, com a voz embargada. Aos 42 anos, ela também tem um diploma.
