Em 2017, Mack Beggs, um adolescente de 17 anos do Texas, viu-se no centro de uma das controvérsias esportivas mais comentadas dos Estados Unidos.
Beggs se identificava como homem e tomava testosterona como parte de sua transição. No entanto, as regras da UIL, a organização que regulamentava os esportes em escolas públicas no Texas, estabeleciam que os estudantes tinham de competir de acordo com o sexo indicado em sua certidão de nascimento.

Por isso, embora quisesse lutar contra homens, acabou competindo na divisão feminina.
E seus resultados eram difíceis de ignorar: Beggs chegou ao campeonato estadual com um retrospecto de 56 vitórias e nenhuma derrota. Na final da divisão de 110 libras, derrotou Chelsea Sanchez 12-2 e conquistou o título estadual.

A vitória provocou um intenso debate. Alguns pais e adversários questionaram a participação de Beggs enquanto recebia testosterona e acreditavam que isso poderia lhe dar uma vantagem física. O pai de uma de suas adversárias chegou a entrar com uma ação judicial na tentativa de impedi-lo de competir na divisão feminina.

Beggs, por sua vez, sustentou que não havia escolhido competir contra mulheres e que o que queria era enfrentar outros homens. Sua família também argumentou que as regras o haviam deixado em uma situação que ele não havia escolhido.
Mas o caso teve um segundo capítulo: em 2018 ele venceu novamente o campeonato estadual, mais uma vez na divisão feminina.

A história abriu um debate que continua extremamente controverso: o que deve determinar a categoria esportiva de uma pessoa: seu sexo biológico, sua identidade de gênero ou as regras específicas de cada competição?

E, no caso de Beggs, há um paradoxo que tornou a história ainda mais controversa: ele queria competir contra homens, mas as regras destinadas a proteger a divisão feminina foram justamente as que acabaram obrigando-o a competir contra mulheres.
