Francis Smith passou 70 anos na prisão e escapou da cadeira elétrica oito vezes: morreu aos 101 anos afirmando ser inocente

Por Rodrigo Martínez
27 August, 2026

Francis Clifford Smith tinha 25 anos quando foi condenado à morte por um crime que negou ter cometido até o último suspiro.

Ele foi condenado por matar o vigia de 68 anos Grover Hart durante um roubo em um clube náutico em Greenwich, Connecticut, em 1949. Oito vezes, prepararam-no para morrer. Oito vezes, serviram-lhe sua última refeição. E oito vezes, por diversos motivos legais, a execução foi suspensa. Em 1954, sua pena foi comutada para prisão perpétua, e foi então que começou uma espera que duraria pelo resto de sua vida.

Ao longo dos anos, surgiram rachaduras no caso: testemunhas se retrataram, um investigador disse acreditar na inocência de Smith, e até outro detento confessou que havia sido ele quem matara Hart. Nada disso o tirou da prisão. Smith passou mais de sete décadas atrás das grades, ganhou o apelido de “o homem dos pássaros de Osborn” por alimentar aves com pão que escondia e só foi libertado em liberdade condicional em 2020, já idoso e sofrendo de demência senil. Morreu dormindo aos 101 anos, sem que ninguém — nem o sistema de justiça nem a história — jamais confirmasse se ele merecia passar a vida inteira atrás das grades.

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