Gaivotas «lésbicas»: usam machos para acasalar, depois os abandonam e voltam ao ninho para criar os filhotes ao lado da parceira

Por Krishna Medina
15 August, 2026

Em 1972, George e Molly Hunt começaram a contar ninhos de gaivotas na Ilha de Santa Bárbara, a 61 quilômetros da costa da Califórnia.

Algo não batia: 10 % dos ninhos tinham seis ovos, o dobro do número normal para esta espécie, já que é fisicamente impossível que ponham mais de três ovos. Ninguém entendia o motivo, até que os pesquisadores chegaram a uma teoria: homossexualidade.

Mas, ao contrário de outras aves, o dimorfismo sexual nas gaivotas não é muito evidente, o que significa que gaivotas machos e fêmeas não apresentam diferenças físicas perceptíveis. Então, para confirmar a teoria, os cientistas tiveram de sacrificar um dos pares mais férteis.

Ao dissecá-las, descobriram que ambas as gaivotas tinham ovários. As fêmeas haviam encontrado sua própria estratégia: acasalavam com machos para fertilizar seus ovos, mas formavam pares com outras fêmeas e, juntas, construíam o ninho, incubavam os ovos e cuidavam dos filhotes.

@Morgan Panda

A descoberta foi publicada na revista Science em 1977 e causou tamanho escândalo que o Congresso dos Estados Unidos tentou bloquear o orçamento da National Science Foundation, que havia financiado parte do estudo. 

Talvez o mais curioso desta história nunca tenham sido as gaivotas, mas nós. Enquanto elas simplesmente continuavam se reproduzindo e criando seus filhotes juntas, foram os humanos que precisaram transformar seu comportamento em um problema moral e, por mais desconfortável que uma verdade possa ser, mais cedo ou mais tarde ela virá à tona.

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