Há um lugar onde o corpo feminino «atrapalha»: na Índia, mulheres têm o útero removido para não perder dias de trabalho

Por Andrea Araya Moya
1 June, 2026

Há trabalhos tão abusivos que o corpo acaba pagando o preço. Em Beed, na Índia, muitas mulheres que cortam cana-de-açúcar passaram por histerectomias para não faltar ao trabalho por causa da menstruação, de gravidezes ou de abortos espontâneos. Não porque «queiram», mas porque o sistema as empurra a continuar trabalhando como se descansar não fosse uma opção.

A maioria delas trabalha em condições extremamente duras. Elas passam meses longe de casa durante a temporada de colheita, acordando antes do amanhecer e cumprindo jornadas que podem se estender por mais de 12 horas em temperaturas sufocantes.

Sob o modelo «jodi», muitos casais se endividam e trabalham até 14 horas por dia, sem férias nem proteção real. Se faltam ao trabalho por doença ou por uma emergência familiar, podem sofrer descontos, multas ou dívidas maiores com os contratantes que os empregam.

Nesse contexto, algumas mulheres acabam vendo a menstruação como um problema de trabalho, e não como uma função natural de seus corpos. Ativistas e organizações denunciam há anos que muitas recebem informações incompletas sobre as consequências de uma histerectomia ou são pressionadas a considerar a operação como uma solução prática para continuar trabalhando sem interrupções.

Em 2019, uma investigação revelou mais de 13 mil histerectomias no distrito, enquanto ativistas denunciam falta de higiene, pressão médica e poucas reformas concretas.

No fim, o mais brutal não é apenas a operação. É que, para muitas, perder o útero parece menos custoso do que perder um dia de trabalho. 💔

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