Haaland eliminou o Brasil: O filho que terminou a história do pai

Por Jorge Pino
6 July, 2026

Em 1997, um meio-campista norueguês chamado Alf-Inge Haaland enfrentou o Brasil de Ronaldo, Romário e Roberto Carlos, e ajudou a derrotá-lo. Pouco depois, um joelho destroçado encurtou sua carreira. Ele voltou para casa, para Bryne, uma cidade de tratores e chuva, carregando uma história inacabada no futebol.

Três anos depois, seu filho nasceu. Deram-lhe o nome de Erling.

O menino cresceu naquela cidade onde nada acontecia, chutando contra o vento do Mar do Norte, ouvindo histórias de um país que um dia encarou os gigantes de frente. A Noruega não disputava uma Copa do Mundo desde 1998: Erling esperou pela sua, literalmente, a vida inteira.

Ele se construiu com a disciplina de um monge: comia, dormia e treinava como um profissional antes mesmo de ser um. Chamavam-no de robô, androide, máquina. Erraram na palavra: máquinas não herdam dívidas.

Na noite passada, em New Jersey, ele acertou as contas. Uma cabeçada e um chute letal de pé esquerdo para derrubar o Brasil, colocar a Noruega entre as oito melhores seleções do mundo e levar sua contagem a sete gols no torneio. Agora ele pertence a um clube lendário: é apenas o sexto homem na história — o primeiro em 53 anos — a alcançar 50 gols por sua seleção em menos de 50 partidas. Os outros cinco incluem Puskás, Gerd Müller e Pelé.

Contra o Brasil, como seu pai. Por seu pai. O futebol devia aos Haaland um desfecho e levou vinte e nove anos para pagá-lo.

Os vikings agora podem remar em paz: a história está completa.

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