Pandora não cava por tédio; ela cava por vocação.
Em Monte Aprazível, Brasil, essa cachorra sem raça definida, com pouco mais de um ano de idade, já havia conquistado uma reputação em casa: ela desenterrou chinelos, brinquedos, comida e até uma churrasqueira completa, para o espanto constante de seu dono, Lucas Alves Magalhães. Mas nada o preparou para o dia em que a viu atravessando o quintal com algo branco aparecendo entre os lábios.


«Eu não conseguia ver o que era, então a chamei», disse Lucas. Quando ele levantou a cabeça dela, quase caiu de tanto rir: Pandora havia encontrado uma dentadura completa e a usava como se fossem seus próprios dentes, sorrindo sem saber que acabara de dar início a um mistério doméstico. Segundo Lucas, os antigos donos da casa eram um casal de idosos, então a dentadura provavelmente pertencia a eles. Dias depois, como se fosse para encerrar o caso, Pandora cavou novamente e encontrou a outra metade em outro ponto do quintal.

