Homem indígena percorreu 8 km para estudar e vendeu peixe e bananas para pagar seus materiais escolares; hoje é o primeiro de sua geração a ingressar em Medicina

Por Carlos Valencia
18 August, 2026

Janilson caminhava 8 quilômetros todos os dias apenas para chegar à aula.

Em alguns anos, ele nem sequer tinha um caderno. Para comprar um, vendia bananas, farinha e peixe em sua comunidade do povo Sateré-Mawé, no Amazonas, Brasil. Seus professores, ao verem sua determinação, acabaram lhe dando materiais para que ele não abandonasse a escola. Com o tempo, perdeu um irmão para a malária, viu um tio enfrentar o câncer e acompanhou uma irmã receber o diagnóstico de uma doença rara. Foi მაშინ que nasceu sua decisão: ele se tornaria médico para cuidar dos outros como ninguém havia conseguido cuidar dos seus.

Hoje, aos 29 anos, Janilson Silva dos Anjos conquistou o primeiro lugar entre os candidatos indígenas no Processo Seletivo Especial de 2025 da Universidade Federal do Pará, campus de Altamira. Ele estudou por conta própria, sem cursos preparatórios ou materiais caros. Agora enfrenta um novo desafio: pagar moradia e transporte longe de casa enquanto apoia seus pais idosos.

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