Um dos capítulos mais perturbadores a surgir em torno do caso Jeffrey Epstein envolve dois nomes inesperados: Hugh Hefner e uma ex-modelo da Playboy.

De acordo com uma ação judicial apresentada por 32 supostas vítimas de Epstein, Audra Lynn Christiansen recorreu a Hefner em 2005 depois de alegar que havia sido abusada e submetida a tráfico sexual por Epstein.

Christiansen, que havia sido a Playmate do Ano de 2003, tinha 23 anos na época. Segundo o documento judicial, ela pediu ajuda a Hefner porque acreditava que seus contatos e sua influência poderiam fazer com que as autoridades levassem sua denúncia a sério.
E, ao que consta, Hefner fez isso.

A ação judicial sustenta que o fundador da Playboy ligou várias vezes para o FBI para denunciar as alegações contra Epstein. Christiansen também teria dito que Epstein a levara até o bilionário dos cassinos de Macau Stanley Ho, uma alegação que faz parte da ação judicial e não foi judicialmente comprovada.
Mas é aqui que surge o detalhe mais perturbador.
Segundo a ação judicial, embora Hefner supostamente tenha tentado alertar o FBI em 2005, Christiansen só teve contato com a agência em 2020, aproximadamente 15 anos depois e um ano após a morte de Epstein.

A própria Christiansen chegou a questionar esse relato sobre o contato. Ela afirma que foi ela quem apresentou outra denúncia ao FBI em 2020 e que nunca foi entrevistada pelos investigadores.
O governo dos EUA buscou o arquivamento da ação e argumenta, entre outras coisas, que o FBI não é legalmente obrigado a investigar todas as denúncias que recebe.
Por enquanto, não há evidências de que tenha existido uma conspiração para proteger Epstein.

Mas os documentos deixam uma pergunta difícil de ignorar:
se as alegações já haviam chegado ao FBI em 2005 e Hugh Hefner supostamente havia ligado várias vezes para alertá-los, por que a mulher que apresentou a denúncia diz que teve de esperar 15 anos para tentar ser ouvida?
