Guillermo Rivera tinha apenas alguns anos de idade quando sua família se desfez.

Era 1984, e seus pais estavam se divorciando. Ele ficou nos Estados Unidos com o pai. Sua irmã, Patricia Salazar Rivera, foi para o México com a mãe, que não tinha documentos e não teve escolha a não ser concordar quando o pai pediu para levar a menina consigo. Ninguém escolheu deliberadamente aquele destino: as coisas simplesmente se desenrolaram dessa maneira para uma família dividida ao meio, e o oceano de burocracia imigratória fez o resto. Mais de três décadas se passaram sem que ouvissem a voz um do outro.

Só em 2017 eles conseguiram conversar pela primeira vez. Dois dias depois, Guillermo esperava por ela no Aeroporto Internacional de Los Angeles. Quando Patricia passou pela porta de desembarque, trinta e tantos anos de silêncio se dissolveram em um abraço que nenhum dos dois imaginava que compartilharia novamente.
