HÁ UMA CASA QUEIMADA NUMA MONTANHA NA CROÁCIA. NINGUÉM PODE ENTRAR: O CHÃO ESTÁ CHEIO DE MINAS.
Na porta, trancada com uma corrente, tremula uma pequena bandeira. Alguém escreveu nela duas palavras: «Obrigado» e «O nosso capitão».
Aquela casa em ruínas foi o primeiro lar de Luka Modrić

Ali, em criança, cuidava de cabras ao lado do avô, a quem amava como a um pai. Até que, numa manhã de dezembro de 1991, a guerra chegou. Um grupo armado encontrou o velho pastor nas montanhas e executou-o. Luka tinha seis anos. A sua casa foi incendiada e a sua família teve de fugir para sempre.
Acabaram por viver durante sete anos num hotel para refugiados. Enquanto as bombas caíam sobre a cidade, um rapaz magro e calado chutava uma bola no parque de estacionamento e escondia-se debaixo das mesas quando as sirenes soavam. Na escola, pediram-lhe que escrevesse sobre algo que o tivesse marcado. Ele escreveu sobre a morte do avô.

Disseram-lhe mil vezes que era demasiado pequeno, demasiado fraco. Foi rejeitado por causa do seu tamanho. Mas aquele rapaz que partiu do nada, entre escombros e medo, chegou ao topo do planeta.
Com o seu primeiro salário, não comprou um luxo para si: comprou uma casa para os pais. Um lar, mais uma vez.
É por isso que, naquela porta queimada, alguém escreveu «Obrigado». Porque das cinzas daquela casa nasceu uma lenda. 🕯️
