Reginaldo Castro tinha a altura de uma criança de dez anos. Um metro e quarenta e sete centímetros. Cinquenta e um quilos. Calçava 35.
Os adversários o viam chegar e achavam que seria fácil. Esse era o erro.

Bimbinha usava o corpo de uma forma que ninguém tinha imaginado. A bola sempre baixa, sempre colada ao chão, sempre no único lugar onde pernas longas não conseguiam alcançar. Quando o defensor se posicionava para tirá-la, já era tarde demais. Ele já tinha passado.
Um dia, contra o Corinthians, ele fez o que ninguém tinha visto antes. Passou a bola entre as pernas do defensor Zé María. E depois passou por ali também. O estádio não sabia se ria ou aplaudia. Fez as duas coisas.

Certa vez, perguntaram-lhe como ele marcava gols sendo o menor. Ele respondeu sem hesitar: «No futebol, o tamanho não importa, mas sim onde você se posiciona para marcar».
Em São Luís, Maranhão, as arquibancadas do Sampaio Corrêa o chamavam de «Alegria do Povo». Entre 1977 e 1989, ele lhes deu sete títulos estaduais e duzentos e cinquenta gols.
Depois, o clube o dispensou. Sem lhe pagar o que lhe devia.
Ele teve de denunciá-los. «Esqueceram que Bimbinha deu muitas alegrias aos tricolores e merecia mais respeito.»
Ele morreu em 2020, aos 63 anos.
O futebol lhe deve uma dívida. Deu-lhe uma ovação de pé e não lhe pagou enquanto estava sentado.
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