Kelly Hashemi tinha quase 40 anos quando começou a sangrar entre as menstruações, ficando inchada e sofrendo de uma ansiedade que não a deixava dormir.


Os médicos disseram que era perimenopausa. Ninguém solicitou um exame de imagem. Foi ela quem, por conta própria, pagou por um exame particular em julho de 2022 — e foi então que a verdade veio à tona: câncer de ovário em estágio três, já espalhado por todo o corpo.


A cirurgia a que foi submetida foi brutal: abriram seu corpo do pescoço ao osso púbico, removeram todo o útero, parte do fígado, a bexiga e o diafragma. Duas semanas na UTI.


Meses de reabilitação. Quando finalmente voltou a dar aulas na Newcastle High School for Girls, uma nova tomografia sete semanas depois confirmou o pior: o câncer havia voltado.

Deram-lhe duas opções. Com a cirurgia, um ano de vida. Sem ela, apenas alguns meses. Kelly, professora do ensino fundamental de Gateshead, escolheu o bisturi novamente — não na esperança de ser curada, mas para ganhar mais tempo antes da morte e ficar um pouco mais com Tabitha, sua filha de 13 anos.
Ela morreu no St Bede’s Hospice, onde passou seus últimos três meses. Seu marido, Arya, correu a Great North Run para arrecadar dinheiro para o mesmo hospice que cuidou dela até o fim.
