Darcie Hamilton tinha 10 anos quando percebeu algo estranho: transpirava muito mais do que os restantes colegas da escola primária na Escócia.

Com o tempo, o seu corpo ficou fora de controlo. Literalmente. O suor escorria da axila até à cintura e, para o esconder, acabou por levar três mudas de roupa para a escola e tomar banho até cinco vezes por dia. Nada era suficiente. O bullying foi tão severo que abandonou a escola aos 14 anos, cansada de lhe dizerem que era suja.

Dois anos depois veio o diagnóstico: um dos piores casos de hiperidrose que os médicos tinham visto. No seu estado mais grave, Darcie perdia até três litros de suor por dia e precisava de beber cinco litros de água para evitar ficar desidratada. A sua pele pagou o preço: assaduras, erupções cutâneas, feridas nas axilas e centenas de pequenas bolhas em ambas as mãos. O Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido retirou-lhe o acesso gratuito ao Botox que aliviava os seus sintomas, e agora paga o tratamento de forma privada.

Aos 22 anos, Darcie repete algo que poucas pessoas entendem: transpirar assim não é falta de higiene, é uma doença real.
