Mulheres de Mathura tricotam à mão suéteres gigantes para manter aquecidos elefantes resgatados de abusos

Por Rodrigo Martínez
17 August, 2026

Navarti tricota com as mãos que um dia vestiram um urso.

O marido dela era um Kalandar, um daqueles homens na Índia que faziam ursos dançar por algumas moedas, até que a prática foi proibida e o negócio da família desapareceu de repente. Ela precisava de trabalho. Encontrou algo melhor: um propósito.

Em Mathura, às margens do rio Yamuna, o Centro de Conservação e Cuidados de Elefantes da Wildlife SOS abriga cerca de 20 elefantes resgatados de circos e templos, animais cujas pernas carregam as marcas de anos de correntes e espancamentos. Muitos sofrem de artrite e dores nas articulações que o frio de Uttar Pradesh, que pode cair para até 5 ou 6 graus, torna insuportáveis. Então Kamini Chander, consultora da ONG, teve uma ideia: convocar mulheres como Navarti para tricotar suéteres sob medida para eles.

Cada peça pesa cerca de 4 quilos de lã e exige até um mês de trabalho de várias tricoteiras, seis ou sete mãos costurando o que cobrirá a barriga, o pescoço, as costas e as pernas de um animal que nunca pediu para nascer em cativeiro. O resultado são gigantes coloridos, mantidos aquecidos por mulheres que um dia se viram sem um ofício e agora sustentam, fio a fio, a saúde daqueles que mais precisam.

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