Lincoln Furtado tem 33 anos e um tumor crescendo exatamente onde fica a fala.

Nos palcos de Cambé, Paraná, ele é conhecido como Maldonado, e em março os médicos diagnosticaram nele um glioma de baixo grau, o mesmo tipo de câncer que levou seu pai três anos antes. Para operá-lo sem prejudicar sua capacidade de falar, a equipe do Hospital do Câncer de Londrina decidiu acordá-lo no meio da cirurgia. Sete horas de cirurgia, sete médicos ao seu redor e, em determinado momento, colocaram seu violão em suas mãos.

Ele tocou ‘Chora Viola’ enquanto o neurocirurgião Victor Batistela e sua equipe removiam o tumor milímetro por milímetro, ouvindo para verificar se sua voz e seus dedos ainda respondiam da mesma forma. Lincoln nem se lembra de ter feito isso: a medicação apagou esse trecho de sua memória. Dois dias depois, ele assinou os papéis de alta e voltou para Cambé. Agora, aguarda os resultados da biópsia para saber se precisará de tratamento adicional, mas já voltou a cantar diante das câmeras, com o mesmo violão que ajudou a salvá-lo.
