Aos 9 anos, Nalleli Cobo dormia sentada.

Ela fazia isso para não se sufocar com o próprio sangue enquanto seu nariz sangrava à noite, em seu apartamento no sul de Los Angeles, a nove metros de um poço de petróleo. Ela tinha asma, náuseas e espasmos tão graves que sua mãe precisava carregá-la, pois ela ficava paralisada. Sua mãe, avó e irmão também começaram a adoecer sem explicação.

O que Nalleli não sabia era que morava ao lado do maior campo petrolífero urbano dos Estados Unidos e que 580,000 moradores de Los Angeles — a maioria de baixa renda, negros e latinos — respiravam o mesmo ar. Ela e sua mãe bateram de porta em porta até que um senador ouviu suas preocupações, a EPA investigou e a instalação foi fechada.

Anos depois, aos 19, um câncer de causa desconhecida a fez parar. Em janeiro, ela venceu a doença. Hoje, ela estuda Direito e continua exigindo algo tão simples quanto ar limpo, independentemente do CEP onde você nasceu.

