🐐 O fim de uma era

Por Juan Pablo González
7 July, 2026

Um dia, muitos anos a partir de agora, alguém perguntará como era ver Cristiano Ronaldo jogar. E os números não serão suficientes.

Teremos de explicar que houve um homem que se recusou a envelhecer, que declarou guerra aos limites do corpo e a venceu durante vinte anos. Que ele saltava e ficava suspenso no ar por um segundo a mais, como se a gravidade tivesse de pedir a sua permissão.

Como nos lembraremos dele?

Não apenas pelos mil golos ou pelas cinco Bolas de Ouro. Nós nos lembraremos dele pelo que havia por trás disso: obsessão. O último a sair do treino. Aquele que transformou a palavra «trabalho» em outro talento. O rapaz pobre da Madeira que decidiu, contra todas as probabilidades, ser o melhor do mundo, e foi.

O jogador despede-se. Mas a era que está a terminar não é a de um futebolista: é a de uma forma de entender a ambição. Ele e Messi mimaram-nos com o impossível todos os fins de semana durante quase duas décadas. A partir de agora, tudo o que virmos será, na melhor das hipóteses, muito bom.

Lembrar-nos-emos dele da mesma forma que nos lembramos daqueles que expandem o que é possível. Como prova viva de que o talento sem limites existe, mas o seu nome é disciplina.

Obrigado pela era, Cristiano. Nunca haverá outra igual. 🇵🇹

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