Jabbar Gibson tinha 20 anos e não possuía carteira de motorista. Ele morava no bairro de Algiers, em Nova Orleans, e não havia evacuado quando o Katrina rompeu os diques.
Em 31 de agosto de 2005, ele encontrou um ônibus escolar abandonado. As chaves ainda estavam nele.
Ele o encheu de pessoas. Crianças, idosos, vizinhos que já não esperavam ajuda de ninguém. Ao todo, mais de 70 pessoas.

Ele partiu para Houston. A viagem que normalmente leva cinco horas e meia levou quase treze, por ruas inundadas e estradas destruídas.
A polícia o parou no caminho. Pediram que ele fizesse os passageiros descerem e entregasse as chaves. Sua mãe, Bernice, interveio e conseguiu que eles fossem autorizados a continuar.

Quando o ônibus chegou ao Astrodome de Houston, já transformado em abrigo, alguns relatos dizem que ele chegou antes de vários ônibus oficiais.
Gibson nunca foi acusado por ter levado aquele veículo.
Ninguém lhe deu aquele ônibus. Ninguém lhe deu aquela permissão. Ele decidiu que setenta vidas não podiam esperar mais.

