O GUARDANAPO NUM BAR DE BARCELONA. E A ASSINATURA DE JORGE MESSI QUE MUDOU A HISTÓRIA DO FUTEBOL

Por Diego Aguirre
10 August, 2026

Um guardanapo não fala. Mas, se pudesse, esta semana teria algo a contar.

Em 14 de dezembro de 2000, no Clube de Ténis Pompeia, em Montjuïc, um homem nervoso esperava por uma resposta. O seu nome era Jorge Messi. Tinha levado o filho de 13 anos para Barcelona, tinha passado pelas provas, esperara semanas por uma assinatura que nunca chegava. O Barcelona tinha dúvidas. Jorge não tinha espaço para dúvidas: precisava de uma certeza para não regressar a Rosário de mãos vazias.



À sua frente estava Carles Rexach, o secretário técnico do clube. Não tinha um contrato à mão. Pegou na única coisa que havia na mesa: um guardanapo de papel. Escreveu que se comprometia, sob a sua responsabilidade, a contratar o jogador Lionel Messi Cuccittini. Josep Maria Minguella e Horacio Gaggioli também assinaram, como testemunhas de uma promessa sem qualquer valor legal. Não era um contrato. Era a palavra de um homem escrita num guardanapo de bar. Para Jorge, era suficiente. Guardou aquele guardanapo como se guarda um passaporte para o futuro do filho. Não sabia que o pedaço de papel amarrotado acabaria por ser leiloado anos mais tarde por quase um milhão de dólares. Nem sabia, naquela tarde, que segurava o primeiro documento da maior carreira do futebol. Lionel disputou 782 jogos pelo Barcelona. Marcou 674 golos. Ganhou quatro Ligas dos Campeões. Tudo começou ali, numa mesa em Montjuïc, com um pai que não largaria enquanto não tivesse algo assinado. Jorge Messi morreu na sexta-feira, 7 de agosto, aos 68 anos. Ao saber da notícia, Rexach voltou a contar a mesma velha história: aquela tarde em que um guardanapo acalmou a angústia de um pai. O guardanapo continua lá, emoldurado, vendido, famoso. Jorge não.


Mas, sempre que alguém olhar para ele, também estará a olhar para um pai que não desistiu.

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