Aos 20 anos, Petchiammal já era viúva. Seu marido, Shiva, morreu de ataque cardíaco apenas 15 dias após o casamento, e pouco depois ela descobriu que estava grávida.

Sozinha e esperando uma filha, ela começou a trabalhar para sustentá-la. Mas, em sua comunidade, ser uma mulher sozinha a fazia se sentir vulnerável. Um dia, enquanto caminhava para o trabalho em uma fábrica de carvão, um caminhoneiro teria tentado forçá-la a entrar em seu veículo. Ela conseguiu escapar, mas ficou aterrorizada.

No dia seguinte, ela tomou uma decisão que mudou tudo: cortou o cabelo, vestiu uma camisa e um dhoti — a vestimenta tradicional masculina — e adotou o nome Muthu.

Ela trabalhou como cozinheira, em restaurantes e como trabalhadora agrícola. Em Kattunaickkanpatti, onde ninguém conhecia seu passado, as pessoas a chamavam de «Muthu Master» e seus vizinhos a chamavam de «Annachi», uma forma respeitosa de se dirigir a um homem mais velho. Durante boa parte da infância, sua filha, Shanmugasundari, precisava chamá-la assim na frente dos outros para manter o segredo.

Hoje, Shanmugasundari é adulta e tem uma vida própria. Mesmo assim, Petchiammal não tem intenção de voltar atrás: depois de 37 anos, ela diz que Muthu lhe deu a coragem e a segurança de que precisava, e quer continuar sendo Muthu até o fim da vida.
