O médico japonês que financiava tatuagens em troca de ficar com a pele de seus doadores após a morte

Por Josefina Reyes
17 June, 2026

Dr. Masaichi Fukushi não era um colecionador comum. Era patologista, conhecia a anatomia com precisão cirúrgica e tinha uma obsessão que o distinguia de qualquer outro estudioso de arte no Japão: queria preservar as tatuagens irezumi antes que desaparecessem para sempre sob a terra.

Sabukaru

O problema era que tatuagens não existem sem a pele que as carrega. Fukushi entendia isso melhor do que ninguém. Então desenvolveu um método tão metódico quanto perturbador: identificava pessoas com desenhos corporais excepcionais, em alguns casos financiava todo o processo de tatuagem, e formalizava um acordo com elas — quando morressem, sua pele passaria para sua coleção. Décadas desse trabalho silencioso acumularam mais de 100 amostras de pele humana preservada, muitas com trajes corporais completos cobrindo o torso, os braços e as pernas com dragões, carpas koi e figuras do folclore japonês.

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Hoje, grande parte dessa coleção continua preservada no Japão. Ela inclui peças ligadas à tradição da Yakuza, de uma época em que o irezumi era simultaneamente uma forma de arte refinada e uma marca de estigma social. O que Fukushi construiu é um arquivo histórico sem igual — embora a questão de onde termina a preservação cultural e onde começa algo mais difícil de nomear ainda não tenha uma resposta clara.

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