O órgão esquecido da medicina: cientistas criam um mapa 3D do clitóris, 30 anos depois do pênis

Por Krishna Medina
27 August, 2026

Ninguém jamais o tinha visto assim antes.

A neurocientista Ju Young Lee, do Amsterdam UMC, nos Países Baixos, usou uma fonte de raios X de síncrotron na França para examinar duas pélvis doadas após a morte. O que ela descobriu transforma três décadas de livros de anatomia: dentro da glande do clitóris há cinco troncos nervosos que se ramificam como os galhos de uma árvore, alguns chegando até o monte pubiano.

Até agora, acreditava-se que o nervo dorsal entrava em dormência antes de chegar lá.

O problema é que grande parte do clitóris permanece escondida dentro do corpo, cercada por ossos e outros órgãos pélvicos. Os exames de ressonância magnética permitem observar seu formato geral. Pior ainda, há 20 vezes mais estudos sobre a glande do pênis do que sobre a glande do clitóris.

O atraso não é insignificante, mas este mapa — ainda preliminar e sem revisão por pares — poderia reduzir os 22 % de mulheres que perdem sensibilidade após uma cirurgia reconstrutiva decorrente de mutilação genital. Ele também poderia ajudar a prevenir danos aos nervos da vulva e a perda de sensibilidade durante cirurgias contra o câncer e outros procedimentos na região.

Dito isso, ainda há muito a descobrir. O mapa foi elaborado a partir das pélvis de apenas duas mulheres após a morte, e o estudo ainda não passou por revisão por pares. Os próprios pesquisadores consideram este trabalho mais um ponto de partida do que o mapa definitivo do clitóris.

Puede interesarte