Giuseppina Pasqualino di Marineo tinha 33 anos e uma ideia que a enchia de propósito: viajar pela Europa e pelo Oriente Médio vestida de noiva, pedindo carona a estranhos, para mostrar que a confiança entre diferentes culturas podia construir a paz. Seu nome artístico era Pippa Bacca. Em 8 de março de 2008, ela deixou Milão com sua colega Silvia Moro em um projeto chamado «Brides on Tour». Em seu site, escreveram: «Pedir carona é escolher ter fé nos seres humanos».

Ao chegar a Istambul, as duas artistas decidiram se separar e se reencontrar mais tarde no Líbano. Em 31 de março, Pippa concordou em entrar em uma caminhonete preta nos arredores da cidade. Naquela mesma tarde, ela usou seu cartão de crédito pela última vez. A polícia encontrou o responsável porque ele ligou o telefone de Pippa usando seu próprio cartão SIM: um erro que o entregou imediatamente. Murat Karatas, 38 anos, pai de dois filhos e com antecedente por roubo, confessou o crime e levou os investigadores até o corpo, escondido entre arbustos em uma floresta perto de Gebze, 65 quilômetros de Istambul.

Vinte e quatro dias depois de partir para mostrar que se podia confiar no mundo, Pippa Bacca já não estava mais aqui. Os principais jornais da Turquia publicaram capas marcadas pela vergonha. Karatas foi condenado à prisão perpétua. O tribunal que manteve a sentença escreveu que o condenado «estava desconectado dos valores humanos». Há uma crueldade particular no fato de terem escrito essa frase sobre o homem que matou a mulher que mais acreditava neles.

