«Quem tentar mudar o sexo biológico de uma criança perderá a autoridade parental»: a proposta controversa do Equador

Por Ana Cid
17 August, 2026

Uma proposta no Equador desencadeou um intenso debate sobre até onde os pais podem ir ao tomar decisões médicas sobre seus filhos.

A deputada Diana Jácome promoveu uma reforma que inclui como motivo para a perda da autoridade parental os casos em que os pais promovem intervenções médicas, cirúrgicas ou farmacológicas destinadas a modificar o sexo biológico de uma criança ou adolescente.

Jácome foi direta ao defender a iniciativa: «Quem tentar mudar o sexo biológico de uma criança perderá a autoridade parental».

A proposta inclui uma exceção para intervenções médicas estritamente necessárias para pessoas com condições intersexo.

A questão gerou controvérsia porque não se trata simplesmente de mudar o nome ou a identidade de gênero de um menor. O texto refere-se especificamente a intervenções médicas, cirúrgicas ou farmacológicas destinadas a modificar o sexo biológico.

A medida faz parte de uma reforma mais ampla relacionada aos processos de adoção e à proteção de crianças e adolescentes. E há um ponto fundamental: isso não significa que um pai ou mãe atualmente perca automaticamente seu filho por apoiar uma mudança de gênero. Trata-se de uma disposição legal que estabelece motivos para a perda da autoridade parental, cuja aplicação exige o procedimento correspondente.

O debate levanta uma questão particularmente sensível: quem deve ter a palavra final quando são tomadas decisões médicas relacionadas ao sexo e à identidade de um menor: os pais, os médicos, o próprio adolescente ou o Estado?

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